Coluna Vem K!
Por: Karina Christina Souza
08/05/2026 - 08:05:45

Existe uma cobrança silenciosa acontecendo no mundo: a obrigação de estar feliz o tempo todo.

As pessoas aprenderam a esconder o cansaço atrás de fotos bonitas, sorrisos rápidos e frases motivacionais. Como se sentir tristeza fosse fracasso. Como se viver fosse manter uma felicidade constante, limpa, organizada e instagramável.

Mas não é.

A felicidade nunca foi moradia permanente. Ela é visita. Chega sem avisar, senta um pouco, ilumina a casa por dentro… e depois vai embora para que outros sentimentos também existam.

O problema começa quando transformamos a felicidade em meta absoluta. Porque aí qualquer dia comum parece insuficiente. Qualquer silêncio vira vazio. Qualquer dor parece sinal de que estamos vivendo errado.

E talvez uma das maiores maturidades da vida seja entender que paz vale mais do que euforia.

Nem todo dia será extraordinário. Nem toda manhã virá leve. Nem toda conquista será acompanhada de fogos internos.

Às vezes, felicidade é só conseguir respirar sem peso. Tomar um café em silêncio. Ouvir uma música antiga. Receber uma mensagem inesperada. Voltar para casa depois de um dia difícil e ainda encontrar em si algum afeto pela vida.

A necessidade desesperada de ser feliz o tempo inteiro tem adoecido muita gente. Porque transforma a existência em performance.

E viver não é performance.

A vida real tem dias cinzas, fases confusas, lutos invisíveis, medos que ninguém percebe. Ainda assim, existe beleza nisso tudo. Porque sentir também é prova de humanidade.

Talvez a pergunta não seja: “Como posso ser feliz sempre?”

Talvez seja: “Como posso viver de forma verdadeira, mesmo nos dias em que a felicidade não aparecer?”

Porque felicidade não é estado permanente. É instante. É respiro. É encontro.

E quem aprende isso para de perseguir uma vida perfeita… e começa, finalmente, a viver uma vida possível.

COMENTÁRIOS

Nome:

Texto:

Máximo de caracteres permitidos 500/





Por: Karina Christina Souza
04/05/2026 - 11:22:54


Outro dia me peguei pensando em como a gente passa tanto tempo esperando algo acontecer.

Um momento certo, uma notícia boa, uma virada que mude o rumo das coisas.

Como se a vida, de verdade, estivesse sempre um pouco adiante.

E, enquanto isso, os dias vão acontecendo… silenciosamente.

Sem anúncio, sem espetáculo, sem grandes marcos.

O café da manhã apressado.

Uma conversa simples no meio do dia.

O fim de tarde que chega sem pedir licença.

Tudo tão comum… que a gente quase não vê.

Talvez o extraordinário não esteja escondido em grandes acontecimentos,

mas dissolvido nesses pequenos instantes que a gente atravessa no automático.

Porque existe uma sutileza na vida que não se impõe — ela se oferece.

Mas, para perceber, é preciso estar presente.

E presença, hoje, parece coisa rara.

A gente vive entre o que já passou e o que ainda não chegou,

sempre com a sensação de que falta alguma coisa.

Mas, às vezes, o que falta não é algo novo.

É atenção ao que já está.

E isso não exige grandes mudanças.

Exige pequenos gestos, quase invisíveis:

Pausar por alguns segundos antes de começar o dia, sem correr para o celular.

Prestar atenção de verdade em uma conversa, sem dividir a mente com mil coisas.

Sentir o gosto da comida, em vez de apenas engolir o tempo.

Perceber o caminho que você faz todos os dias — como se fosse a primeira vez.

Permitir-se alguns minutos de silêncio, sem a necessidade de preencher tudo.

São detalhes.

Mas é nos detalhes que a vida se revela.

O ordinário carrega uma beleza discreta.

Ele não chama, não disputa, não faz barulho.

Mas, quando a gente desacelera o olhar, ele revela.

E revela muito.

Talvez viver seja menos sobre colecionar grandes momentos

e mais sobre aprender a habitar os pequenos.

Porque, no fim,

não é que o extraordinário seja raro —

é que ele costuma chegar em silêncio.

E a pergunta que fica é:

você tem estado presente o suficiente para perceber?

COMENTÁRIOS

Nome:

Texto:

Máximo de caracteres permitidos 500/





Por: Karina Christina Souza
25/04/2026 - 09:32:22

Ouvi essa frase outro dia, na voz de um cantor de arrocha — dessas que chegam sem avisar e ficam ecoando por dentro: viver é diferente de estar vivo. Simples, quase óbvia… mas difícil de ignorar.

A gente aprende cedo a contar os dias, cumprir horários, atender expectativas. E, sem perceber, passa a acreditar que preencher o tempo é o mesmo que dar sentido a ele. A vida avança, o corpo responde, a agenda se organiza — mas, em algum lugar mais profundo, algo permanece em silêncio, esperando ser escutado.

Estar vivo é um dado da existência. Não depende de esforço consciente: o coração bate, os olhos se abrem, o tempo segue seu curso.

Viver, no entanto, é uma escolha que nem sempre fazemos. É um movimento interno, quase imperceptível, de sair do automático e se colocar, de fato, dentro da própria vida.

Talvez por isso Sócrates tenha afirmado que “uma vida não examinada não vale a pena ser vivida.”

Examinar a própria vida não é buscar respostas definitivas, mas sustentar um olhar atento sobre si mesmo. É perceber quando se está apenas funcionando — e quando se está, de fato, sentindo.

Com o tempo, a gente desenvolve uma habilidade silenciosa de evitar esse encontro. Preenche os dias, ocupa os pensamentos, adia perguntas. E assim, quase sem perceber, transforma a rotina em um lugar seguro — ainda que vazio.

Porque viver exige presença.

E presença exige exposição.

É preciso suportar o que se revela quando a gente para: os incômodos, as ausências, os desejos não realizados, as escolhas que ficaram pelo caminho. Nem sempre é confortável. Mas é nesse desconforto que a vida, de fato, acontece.

Há dias em que sobreviver é o máximo que conseguimos — e isso também faz parte.

Mas quando a sobrevivência deixa de ser exceção e passa a ser regra, algo se perde. Não de forma grosseira, mas aos poucos, como quem se afasta de si sem perceber.

Viver talvez seja, então, esse retorno constante.

Um esforço silencioso de alinhar o que se faz com o que se sente.

De habitar o tempo em vez de apenas atravessá-lo.

E, no meio desse percurso, permanece um lembrete simples — quase óbvio, mas profundamente exigente — como nas palavras de Roberto Carlos:

“É preciso saber viver.”

Não como quem domina uma técnica,

mas como quem aceita o desafio de estar presente.

Porque, no fim, a vida não se mede apenas pelo tempo que passa,

mas pela consciência com que ele é vivido.

COMENTÁRIOS

Nome:

Texto:

Máximo de caracteres permitidos 500/





Por: Karina Christina Souza
18/04/2026 - 15:24:07

Existe um tipo de aprendizado que não vem dos livros, nem dos conselhos — vem do tempo. E, quando ele chega, muda silenciosamente a forma como a gente se relaciona com o que sente.

Durante muito tempo, acreditamos que precisamos controlar tudo: manter a alegria por perto, esconder a tristeza, vencer a ansiedade, silenciar a raiva. Como se sentir fosse um erro a ser corrigido, e não uma experiência a ser compreendida.

Mas o tempo, com sua paciência quase didática, nos mostra outra coisa.

Os sentimentos são hóspedes.

Alguns chegam com delicadeza. A alegria ilumina os ambientes internos, a paz reorganiza aquilo que estava confuso, o alívio traz descanso. São visitas que gostaríamos de prolongar, de convencer a ficar mais um pouco. Mas, como bons hóspedes, eles também partem — às vezes sem aviso, às vezes deixando apenas a memória da leveza que trouxeram.

Outros chegam sem bater à porta. A tristeza ocupa espaços, a ansiedade inquieta, a raiva ecoa. E diante deles, nossa reação quase sempre é a mesma: resistir. Tentamos expulsar, negar, distrair. Mas sentimentos não funcionam sob imposição. Quanto mais ignorados, mais insistem em permanecer.

Com o tempo, aprendemos — ainda que aos poucos — que não se trata de abrir mão de si para o que se sente, mas de permitir que cada emoção cumpra o seu papel.

Porque todo sentimento carrega uma mensagem.

A tristeza pode ser um pedido de acolhimento.

A ansiedade, um alerta sobre excessos.

A raiva, um sinal de que limites foram ultrapassados.

A metáfora popularizada pelo poeta Rumi sugere receber cada emoção com hospitalidade, sem se apegar ou tentar expulsá-las, pois elas passam e trazem lições, limpando o espaço interior para novas experiências.

Quando a gente para de tratar os sentimentos como inimigos, algo muda e a relação com nós mesmos se transforma. A casa interna deixa de ser campo de batalha e vira espaço de acolhimento. O que antes era conflito interno se torna escuta. O que era resistência se torna compreensão. Não é sobre se perder no que se sente, mas também não é sobre negar.

Não é sobre manter a casa emocional impecável, livre de qualquer desconforto. É sobre torná-la habitável — um espaço onde tudo pode entrar, mas nada precisa permanecer para sempre.

Porque, no fim, essa talvez seja uma das verdades mais libertadoras que o tempo ensina: nenhum sentimento é definitivo.

Nem a dor que aperta.

Nem a alegria que expande.

Tudo passa.

E, quando passa, deixa algo — um aprendizado, um limite mais claro, um cuidado maior consigo mesmo.

Talvez maturidade emocional seja isso: não impedir a chegada, nem temer a partida.

Apenas acolher, compreender… e deixar ir.

Porque sentir é humano — mas saber deixar ir é o que nos torna livres.

COMENTÁRIOS

Nome:

Texto:

Máximo de caracteres permitidos 500/





Por: Karina Christina Souza
10/04/2026 - 09:52:05

Tem uma pergunta que, se a gente for realmente sincero, incomoda um pouco:

eu tenho usado a internet para me conectar… ou para me esconder?

A internet é curiosa. Ela cabe em tudo.

Cabe na saudade, quando a gente manda uma mensagem para alguém querido.

Cabe no aprendizado, quando descobrimos algo novo.

Cabe na leveza de uma risada no meio de um dia pesado.

Nesses momentos, ela aproxima.

Ela vira ponte.

 

Mas também cabe no silêncio que a gente evita.

Na solidão que a gente não quer encarar.

No cansaço emocional que a gente tenta anestesiar rolando a tela — sem nem perceber o que está vendo.

E aí, sem fazer barulho, ela deixa de ser ponte… e vira refúgio.

Ou talvez… fuga.

 

O problema nunca foi a internet.

O problema é o lugar de onde a gente a acessa.

 

E talvez também seja a falta de equilíbrio.

 

Hoje, já existem dados que mostram um aumento significativo nos níveis de ansiedade, depressão e distúrbios do sono associados ao uso excessivo das telas — especialmente nas redes sociais. A exposição constante à comparação, à necessidade de validação e ao excesso de informação tem afetado diretamente a nossa saúde mental.

 

Não é coincidência que o esgotamento emocional e a sensação de solidão estejam crescendo — mesmo em um mundo onde estamos, teoricamente, cada vez mais conectados.

 

Tem dias em que a gente entra inteiro.

Com vontade de trocar, de estar presente, de se conectar de verdade.

 

E tem dias em que a gente entra pela metade.

Só para não sentir.

Só para não pensar.

Só para passar o tempo.

 

E o mais curioso é que o corpo sempre percebe a diferença.

 

Quando é conexão, a gente sai mais leve.

Quando é fuga, a gente sai mais cansado.

 

E quase ninguém fala sobre isso, mas talvez essa seja a parte mais importante:

a sensação depois importa mais do que o tempo durante.

 

Não é sobre quantas horas você passou online.

É sobre o que aconteceu com você ali dentro.

 

A internet pode ser um lugar de encontros bonitos.

Pode aproximar pessoas, ideias, afetos.

 

Mas também pode se tornar um esconderijo confortável — daqueles que não assustam… mas que, aos poucos, afastam a gente da vida que acontece fora da tela.

 

Talvez a pergunta que realmente valha a pena carregar todos os dias seja simples:

 

o que eu estou buscando quando entro aqui?

 

Porque, no fim, a diferença entre se conectar e se esconder não está na tela.

 

Está na intenção com que a gente toca nela.

 

E, às vezes, tudo o que a gente precisa…

é ter coragem de perceber isso —

e escolher, com delicadeza, voltar para a própria vida.

COMENTÁRIOS

Nome:

Texto:

Máximo de caracteres permitidos 500/





Por: Karina Christina Souza
04/04/2026 - 11:10:49

Oi… vem cá, senta aqui um pouquinho.

Sabe quando a vida dá aquela pausa meio estranha, tipo um silêncio depois de muito barulho? E daí vem a pergunta que não dá mais pra adiar: e agora, o que importa de verdade?

 

Eu tenho a sensação de que a gente passa tanto tempo correndo atrás do que disseram que era importante… sucesso, aprovação, dar conta de tudo, ser tudo pra todo mundo… que, quando a poeira baixa, fica meio perdido. Tipo: “peraí… isso tudo era mesmo pra mim?”

 

E daí entra um ponto que, para mim, muda tudo: nem tudo o que é esperado socialmente faz sentido pra vida da gente.

Existe um roteiro meio invisível, não é? Estudar “na hora certa”, casar, ter filhos, construir uma família dentro de um modelo específico… como se existisse um jeito certo de viver.

 

Mas a vida real… ela abriu outras possibilidades.

 

Hoje, as famílias têm outras formas, outros ritmos, outros significados. Tem gente que constrói família com amigos, tem quem viva sozinho e em paz, tem quem recomece mais tarde, tem quem faça escolhas completamente diferentes do que um dia imaginou. E tudo isso também é válido. Também é inteiro.

 

E sabe por que isso tudo importa tanto agora?

 

Porque a gente está vivendo um tempo em que a saúde mental virou um alerta coletivo.

Não é exagero: mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com algum transtorno mental, como ansiedade e depressão.

 

No Brasil, os números também assustam — cerca de *26,8% da população relata ansiedade de acordo com o Observatório da Atenção Primária, e a depressão pode atingir até 15,5% das pessoas ao longo da vida, segundo a agência de Serviços e Informações do Brasil.

E talvez o dado mais simbólico: os afastamentos por questões mentais no trabalho não param de crescer, mostrando que isso deixou de ser um problema individual e virou uma questão de vida mesmo.

 

Ou seja… não é só você. Não é fraqueza. É o mundo pedindo um outro jeito de viver.

 

Por isso, talvez agora faça ainda mais sentido escolher com mais consciência o que realmente importa.

 

Importa o que te dá paz — não só alegria passageira, mas aquela paz silenciosa, que não precisa provar nada pra ninguém.

Importa quem fica quando você não está no seu melhor.

Importa o que não te violenta por dentro.

 

E, principalmente… importa cuidar da sua saúde mental como prioridade, não como luxo.

Porque quando a mente está em guerra, nada sustenta. Mas quando ela encontra um pouco de equilíbrio… até o simples vira suficiente.

 

Às vezes, o que importa é saber parar.

É colocar limites.

É não entrar em disputas que te esgotam.

É dizer “não” sem culpa.

É não seguir expectativas que nunca foram suas.

 

Porque viver tentando caber no que esperam de você pode até parecer certo por fora… mas cobra um preço alto por dentro.

 

E talvez a grande virada seja essa: entender que a sua vida não precisa parecer com a de ninguém — nem com a que você mesmo imaginou um dia.

 

Importa poder se olhar com mais gentileza.

Importa respeitar seu tempo.

Importa construir uma vida que faça sentido por dentro, não só por fora.

 

Talvez, no fim das contas, o que importa de verdade seja isso…

um pouco mais de verdade, um pouco mais de cuidado consigo…

e coragem de viver uma vida que te faça bem — não só uma vida que faça sentido para os outros.

 

E me diz…

se você parasse hoje de tentar corresponder ao mundo… o que você escolheria cuidar primeiro em você?

 

COMENTÁRIOS

Nome:

Texto:

Máximo de caracteres permitidos 500/