
Nesta última sexta-feira dia 15/07/2016 a Comissão de Proteção aos Direitos da Mulher da OAB Subseção Eunápolis, Presidida pela advogada Karina Christina Souza, realizou com muito sucesso a 1ª Mesa de Debate: Enfrentamento à Cultura do Estupro.


Evento de suma importância onde foram realizadas palestras pelas Debatedoras de acordo com a realidade em que militam junto às vítimas de estupro.
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O público foi composto por advogados e advogadas, e ainda por diversos segmentos da sociedade que fizeram perguntas pertinentes às Debatedoras que brilhantemente promoveram um excelente aprendizado a todos os presentes.

Participaram como Debatedoras a Dra. Ana Patrícia Dantas Leão, Vice-presidente da OAB Bahia; Dra. Lia Barroso, Presidente da Comissão de Proteção aos Direitos da Mulher da OAB Bahia; Dra. Valéria Fonseca Chaves, Delegada de Polícia e Coordenadora da 23ª COORPIN; a Doutoranda em História, Célia Santana; Deliana Ricelli, Militante da Marcha Mundial das Mulheres e Reginalva Almeida, Presidente do Conselho Municipal de Assistência Social; e como mediadora a Presidente de Proteção aos Direitos da Mulher da OAB Subseção de Eunápolis, Dra. Karina Christina Souza.
As Debatedoras travaram um debate acalorado sobre a nefasta cultura do estupro vista como um problema que envolve normas de comportamento da sociedade que banalizam e toleram a violência sexual, especialmente contra a mulher nas mais diversas formas e que esse crime abjeto aumenta a cada dia e por isso, além do estado, toda sociedade deve se unir para coibir, punir e desconstituir esse paradigma histórico/sociológico, decorrente da cultura do machismo enraizada nas cabeças masculinas e ainda reproduzida em grande parte pelas mulheres.
A OAB - Subseção Eunápolis vem cumprindo sua função social e institucional, de modo que vem atuando como protagonista das ações revestidas de interesse social.

Rosângela Nascimento, apresentou, com texto atenção as mulheres, sobre o tema do debate, que chamou todos atenção, e a mesma foi bem aplaudida.
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ATENÇÃO Mulheres,
Não usem short curto para saírem às ruas
Vocês podem ser ESTRUPADAS,
Não saiam para beber com as outras amigas mundanas, esse tipo de comportamento é inaceitável nessa sociedade pós-moderna e vocês podem ser ESTUPRADAS
Ah sim, não falem palavrão porra! Vocês podem ser ESTUPRADAS

Não fale sobre feminismo, machismo, politica, violência sexual, isso não é papo de mulher, e vocês podem ser ESTUPRADAS,
Jovens mulheres, não marquem para sair sozinha com aquele seu “ficante” ele pode pensar que você não é moça séria e pode combinar com 30 canalhas e colocar uma droga em sua bebida para você dormir e você pode serESTUPRADA, todas que fizerem isso podem ser ESTUPRADAS,
RECOMENDAÇÃO
Se forem sair às ruas, saiam vestidas de burca e tenham sempre um comportamento recatado e do lar.
Mas, mulheres, tenham esperança que esse tempo da idade média “idade das trevas”, vai passar, já ouvi até dizer que algumas já ousaram falar sobre direitos iguais. Mas espera ai, nós já avançamos no tempo ne? Estamos na pós-modernidade, não é isso? Aquela mulher a Simone de Bouvir já escreveu aquele livro polêmico – O segundo sexo, falando sobre pensamentos e direitos femininos, aquela moça lá já queimou o sutiã em praça pública, a Leila Diniz mostrou a barriga de grávida na praia, ah sim teve a Chiquinha Gonzaga, a Pagu, mulheres a frente do seu tempo; Sueli Carneiro falando sobre feminismo negro, mulheres já saem para trabalhar e ajudam os homens a pagar as contas de casa e ainda lava as cuecas dele, muitas delas sustentam as suas famílias, outras exercem cargos de chefias, mas então espera ai de que tempo estamos falando então? Que tempo é esse que uma mulher é estuprada e tem gente que ainda pensa que a culpa foi dela, e isso acontece no mesmo país onde tem aqueles comerciais de cerveja exibindo aquela mulher gostosa, como se ela fosse um objeto de consumo?
Gente! Estou confusa agora, não sei mais em que tempo estou vivendo, idade média tempos modernos? Mas, seja em que tempo for, sou MULHER e não aceito que mulheres sejam tratadas como objeto, tenho filhas que um dia serão mulheres e o filho homem, que está sendo educado para respeitar as mulheres. E não quero que eles pensem que um estupro é uma coisa banal e que a vitima foi permissiva, por isso é urgente falarmos sim sobre questões de gênero, na escola, em casa, precisamos também falar sobre direitos e deveres de cada um, precisamos sim falar sobre machismo, homofobia, racismo, todos esses tipos de comportamentos violentos violentos que vem aflorando através da internet, através de pessoas que se escondem atrás de um perfil de rede social, para destilar seu veneno, seu ódio, seu preconceito, sua intolerância, mas da mesma forma que pessoas desse tipo se utilizam das redes sociais para disseminar o ódio, podemos fazer o contrários usar as redes sociais, para falar de amor, igualdade, alteridade, humanismo, solidariedade, coragem, AMOR, acima de tudo o amor, pois é disso que estamos precisando nesse planeta e precisamos ter muita coragem para falar de coisas boas, pois sabemos que poderemos ser atacados pelo ódio, mas o mal se paga é com o bem, então não vamos nos calar, diante de tanta barbárie, que Deus seja sempre com todas, belas, do lar, do bar, do bordel, da igreja, do terreiro, pretas, brancas, indígenas, lésbicas, hétero, sóbria, bêbeda, jovem, criança, idosa, todas nós.
Rosangela Nascimento