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Participou esta semana de uma ação conjunta com o ICMBio e a CIPPA, no povoado de Montinho, em Itabela-BA, visando averiguar e coibir o uso ilegal de madeiras nativas da Mata Atlântica naquela localidade.
A produção e comercialização de artefatos de madeira com essências nativas da mata atlântica no povoado de Montinho, em Itabela-BA, é amplamente conhecida. Lá se fabricam gamelas, farinheiras, tábuas de petisco e de cozinha, colheres, pilões, entre outros artefatos, de forma irregular. Há, no local, o uso do eucalipto, alternativa legal ao uso de essências nativas, mas ainda representa pequena parte da produção.
Essa ilegalidade também ocorre em outras localidades da região e a madeira irregular provém dos remanescentes florestais, principalmente do Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal e envolve inclusive a população indígena que reside nas Aldeias e fora delas. Fato confirmado pelos moradores de Montinho durante a fiscalização.
Na ação foram apreendidos, em dois locais, lixadeira, cavadores de colher, torno, motores de torno, serras, madeira in natura (toretes), mais de mil colheres, mais de quinhentos pilões, gamelas, farinheiras e pratos de madeira, peças principalmente de parajú e sapucaia, além do embargo das atividades.
Durante a ação, moradores de Montinho fecharam a BR 101, impedindo a saída da localidade e o tráfego pela rodovia, em represália às apreensões. Argumentavam que para liberar a pista o IBAMA teria de devolver os equipamentos apreendidos – uma impossibilidade legal, afirmam os fiscais.
Depois de cumprido o planejamento da operação, mesmo tendo averiguado a existência de outros pontos de produção irregular, a fim de
evitar confronto direto com a comunidade, a equipe retirou-se do local por acessos alternativos.
No final da tarde, representantes dos moradores de Montinho, estiveram na sede do IBAMA de Eunápolis para negociar. Ficou agendado entre ICMBio, IBAMA e moradores de Montinho uma reunião para tratar da produção de artefatos de madeira, na Câmara de vereadores de Itabela. Com isso a rodovia BR 101, interditada por quase 06 horas, foi liberada.
A Localidade de Montinho já foi contemplada com o Projeto Formas da Natureza, executado pela Raízes Meio Ambiente e Desenvolvimento, que desenha a cadeia produtiva de artefatos de madeira com o Eucalipto.
Outros projetos existem na região para incentivar a população indígena e não indígena a deixar de extrair e manufaturar a madeira nativa. Entre eles destacam-se o projeto de reflorestamento do Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal realizado pelo Natureza Bela com financiamento do BNDES e a Cooplanjé, cooperativa indígena que trabalha neste reflorestamento e o projeto Arboretum que prevê que prevê a implantação de viveiros comunitários nas Aldeias da região do Monte Pascoal.
Diante disso, a comunidade de Montinho não pode insistir no uso de madeira irregular da mata atlântica. Apoena ainda afirma que ações de fiscalização em toda a cadeia exploratória de madeira nativa, principalmente a oriunda do Parque Nacional, continuarão ocorrendo.
Necessário ainda se faz, conscientizar o consumidor para que não adquiram essas peças de madeira nativa, afirma Henrique Jabur, chefe da fiscalização do IBAMA.