.jpg)
Em 2019, durante uma solenidade de posse de novos sócios do clube de serviço social do qual faço parte desde 2013 - Lions Clube Santa Cruz, tive a honra de no discurso de boas-vindas com o tempo de 05 minutos trazer uma reflexão curiosa: o que aquelas pessoas ganhariam ao integrar um clube dedicado a servir a comunidade local e regiões circunvizinhas sem receber nada em troca?

A provocação parecia simples, mas não era ingênua.

Porque não se pode negar: o ser humano, social por natureza, quase sempre espera algum tipo de retorno. Mesmo o gesto mais singelo — um sorriso oferecido a um desconhecido — carrega, ainda que de forma inconsciente, a expectativa de reciprocidade.

Então, que tipo de ganho é esse que não se escreve em contrato, não sofre reajuste anual e jamais aparece no contracheque?
Existe um pagamento que não é financeiro.
Existe o salário moral.
Ele não se mede em números, mas em gestos.
Está na forma como os atos são reconhecidos — ou ignorados. No modo como a palavra é acolhida. Na coerência entre discurso e prática. No respeito aos limites que não precisaram ser explicados, apenas percebidos.
O salário moral é silencioso, mas profundamente eloquente. Ele não compra bens, mas sustenta dignidades. Não garante conforto material, mas legitima pertencimentos. E, quando falta, nenhuma remuneração é suficiente para compensar.
Talvez por isso tantas pessoas abandonem espaços, relações e até carreiras não pela ausência de dinheiro, mas pela carência desse pagamento invisível — e indispensável.
Porque no fim, todos nós trabalhamos, servimos e nos dedicamos esperando algo em troca.
E, muitas vezes, o que realmente esperamos é apenas isso: respeito, reconhecimento e sentido.
Vem K! Vamos conversar?