Por: Karina Christina Souza
22/01/2026 - 16:36:51

Sabe aqueles ensinamentos de mãe que a gente carrega pela vida inteira?

Um deles é o senso de limite — e de bom tom — ao opinar sobre a vida alheia.

Opinar exige convite.

E quando a pessoa sequer pediu a sua opinião?

Vivemos tempos em que a falta de educação ganhou verniz de franqueza. Como se dizer tudo o que se pensa fosse sinônimo de autenticidade, e não, muitas vezes, é invasão. Controlar a língua dentro da boca passou a ser visto quase como um esforço sobre-humano diante das situações da vida alheia que se apresentam, diariamente, aos nossos olhos.

A discrição e a sensatez tornaram-se exercícios raros. Os pensamentos, que deveriam passar pelo filtro da empatia e da honestidade, escapam pela fala de forma desordenada, como gafanhotos sem rumo: fazem barulho, ocupam espaço e deixam estragos. Falta análise. Falta, sobretudo, consideração pelo outro.

A discrição, antes sinal de maturidade, hoje é vista quase como omissão.

Nem toda verdade precisa ser dita.

Nem toda opinião precisa ser compartilhada.

E quase nunca a franqueza justifica a ausência de educação.

O problema não está na sinceridade. Está na vaidade que se esconde atrás dela. Há quem confunda franqueza com superioridade moral, como se apontar o dedo e o caminho alheio fosse sinal de lucidez e não de invasão. Opinar sem convite não é coragem — é falta de educação disfarçada de franqueza.

Existe uma diferença significativa entre dizer a verdade e despejar opiniões. A primeira exige responsabilidade. A segunda, apenas impulso. E quase sempre quem diz “é só a minha opinião” não está disposto a ouvir nenhuma em troca.

A maturidade, ao contrário do que se vende por aí, não está em dizer tudo o que se pensa, mas em saber o que merece ser dito, quando deve ser dito — e, principalmente, se precisa ser dito. O silêncio, muitas vezes, é um gesto de respeito, não de omissão.

E a franqueza só é válida quando caminha de mãos dadas com a educação.

Talvez o maior sinal de amadurecimento social e humano não seja ter algo a dizer sobre tudo, mas compreender que a vida  do outro não é espaço de livre acesso.

Vem K!  Vamos conversar?

 

Karina Christina Souza


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