Especialista alerta para impactos da sobrecarga mental e da informalidade sobre a
saúde e a segurança dos trabalhadores

Durante o mês de junho, milhares de trabalhadores atuam nos bastidores das festas
juninas para garantir a realização de eventos, montagens de estruturas, serviços de
alimentação, comércio e logística. Em meio ao aumento da demanda, especialistas
chamam atenção para os riscos psicossociais relacionados ao trabalho, especialmente
entre profissionais temporários, terceirizados e informais, que costumam enfrentar
jornadas prolongadas, pressão por resultados e pouca proteção social. O assunto se
torna ainda mais relevante após a recente atualização da Norma Regulamentadora nº
1, a NR-1, que coloca saúde mental no centro da gestão empresarial.
Segundo a médica do trabalho e especialista em Saúde e Bem-estar, Ana Paula
Teixeira, a combinação entre prazos apertados, fadiga e insegurança profissional pode
comprometer tanto a saúde mental quanto a segurança operacional. "O estresse
excessivo e o cansaço reduzem a capacidade de atenção e aumentam a probabilidade
de erros. Em atividades que envolvem montagem de estruturas, eletricidade ou
trabalho em altura, isso pode resultar em acidentes graves", explica.
A especialista destaca que a gestão dos riscos psicossociais deve fazer parte das
estratégias de prevenção adotadas por empresas e organizadores de eventos,
independentemente do tipo de vínculo trabalhista. "Os impactos do estresse e da
sobrecarga atingem todos os trabalhadores. A promoção de ambientes seguros passa
também pelo cuidado com aspectos emocionais, organizacionais e relacionais do
trabalho", afirma Ana Paula Teixeira.
Entre as medidas recomendadas estão o planejamento adequado das escalas, a
garantia de pausas para descanso e hidratação, a definição de metas realistas e a
capacitação de lideranças para identificar sinais de esgotamento físico e mental. A
inclusão da saúde mental nos diálogos e ações de segurança também é apontada
como uma ferramenta importante para reduzir riscos durante o período de maior
movimentação econômica e cultural do ano.
Para Ana Paula Teixeira, valorizar quem faz a festa acontecer é parte essencial da
celebração. "As festas juninas representam tradição, cultura e desenvolvimento
econômico. Mas é fundamental que esse cenário também seja marcado pelo respeito
à saúde, à segurança e à dignidade dos trabalhadores que tornam esses eventos
possíveis", conclui.


OBS.; Fotos: Fogueira - Magnific (antes Freepik) / Dra. Ana Paula - Acervo pessoal