Por: Redação / atlanticanews
20/03/2020 - 10:17:52

O paciente de Itabela que morreu na noite desta quarta-feira (18) a caminho de Itabuna com suspeita de coronavírus – que já foi descartada após análise pelo Laboratório Central do Estado (Lacen) – viajou fora do protocolo adequado aos sinais e sintomas que apresentava.

Agnaldo Rabelo dos Santos, 43 anos, foi transferido do Hospital Municipal de Itabela em uma ambulância básica do município e não em uma unidade avançada (UTI móvel), mesmo o município tratando o caso como uma suspeita de coronavírus.

A reportagem do Atlântica News entrou em contato com a secretária municipal de saúde, Wadla Cassiano, que explicou que a decisão da transferência em ambulância básica foi da regulação do estado, por meio do sistema Surem.

Acredito que pela sintomatologia, pela estabilidade dos sinais vitais do paciente, pelo fato de em nenhum momento ter sido entubado, por não apresentar sintomas graves, o Surem orientou pela unidade básica”, disse. Perguntada se a ambulância do município possuía equipamentos necessários para evitar o ocorrido, tal como um respirador, Wadla negou. “Não, era oxigênio mesmo... Essa questão é porque a recomendação foi realmente a (ambulância) básica”.

Atlântica News também entrou em contato com a assessoria da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) para confirmar a informação de que a decisão partiu do Surem. A assessoria respondeu que “não comenta casos específicos a partir de condutas médicas”.

Em contato com a direção do Hospital Municipal de Itabela, a direção da unidade reafirmou à reportagem do AN que a recomendação partiu do Surem. O hospital disse também que a causa da morte ainda não pode ser apontada.

Ainda segundo a secretária Wadla, o paciente Agnaldo não foi transferido porque teve o quadro agravado, mas porque surgiu a vaga que estava esperando enquanto se encontrava internado. “O paciente estava internado há seis dias com síndrome respiratória aguardando essa transferência. Ele não apresentava agravamento do quadro, estava com estabilidade nos sinais vitais, somente na tomografia foi detectada alteração pulmonar, não apresentava nenhum outro sintoma de coronavírus, mas por estar apresentando falta de ar e, por precaução devido ao surto (do Covid-19), foi decidido notificar o caso como suspeita de coronavírus. Por essa falta de outros sintomas do vírus, até tivemos dificuldades de registrar no sistema da regulação, mas conseguimos. Não omitimos nada, passamos todas as informações, inclusive a investigação sobre a ingestão de combustível, mas no raio-x não tinha broncoaspiração”, relatou ao AN.

Em casos como o de Agnaldo, o protocolo é que o município colete material do paciente para análise laboratorial, colocá-lo em isolamento, comunicar o caso ao Estado e fazer a transferência em unidade avançada – via Samu regional na área de abrangência ou por lançamento no sistema de Regulação do Estado (Surem) – para unidade hospitalar que disponha de vaga no perfil do paciente.

De acordo com a secretária, o Samu não foi acionado porque existe um limite de quilometragem permitido e reforçou que não seria necessário diante da orientação do Surem.

Atlântica News apurou que, no caso de pacientes em situação de urgência e emergência, o hospital de origem do paciente deve cumprir o fluxo regulatório para contar com o suporte de transferência por parte do Estado. Somente os casos de menor complexidade é que devem ser transportados em ambulâncias básicas.

Durante a transferência, o quadro respiratório do paciente, que antes se apresentava estável, se agravou e ele teve que ser atendido no Hospital Municipal de Itapebi. Agnaldo veio a óbito cerca de 45 minutos após dar entrada na unidade.

 

Foto: Bahia Dia a Dia

 


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