
O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, absolveu o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB), nesta quarta-feira (4), da acusação de que teria obstruído as investigações das operações Cui Bono e Sépsis. Nelas, o emedebista é investigado por crimes de organização criminosa porque supostamente recebeu propina para liberar empréstimos do FI-FGTS, o fundo de investimento da Caixa Econômica Federal.
Segundo denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, Geddel teria tentado impedir a celebração de um acordo de delação premiada do operador financeiro Lúcio Bolonha Funaro, apontado como parceiro do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) em vários esquemas de propina, inclusive na Caixa.
Na sentença, Vallisney considerou que, apesar dos fortes indícios de que Geddel atrapalhou as investigações apontado pelo MPF, não houve provas suficientes sobre a conduta criminosa do ex-ministro. Para o magistrado, não há dúvidas sobre as várias ligações feitas pelo emedebista para Raquel Pitta, esposa de Funaro, apontadas pelo órgão judicial como sinais de obstrução por parte de Geddel. No entanto, a acusação do MPF de que ela estaria sofrendo constrangimento velado não foi comprovada.
"Tampouco há prova de que as investigações foram abaladas ou prejudicadas pelo contato de Geddel com a esposa do réu Lúcio. As provas colhidas durante a instrução criminal demonstram que Raquel Pitta não se sentiu intimidada ou coagida com as ligações de Geddel, tampouco tais ligações tiveram o condão de influenciar a decisão de Lúcio Funaro acerca da colaboração premiada", argumentou o juiz.
Ainda segundo Vallisney, em depoimentos à Justiça, Pitta afirmou que Geddel não a coagiu em nenhum momento. "Além disso, não foram captadas mensagens ou registros telefônicos que demonstrem atos concretos de temor ou constrangimento de Lúcio", aduziu.
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