Por: ATLANTICA NEWS
28/07/2012 - 00:00:00

O nome do colégio é Colégio Estadual Zumbi dos Palmares - uma homenagem a um dos principais líderes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial -, localizado no bairro Tancredo Neves, em Salvador.

Até o mês passado, em apenas 18 meses, 12 alunos do colégio foram assassinados no bairro, por envolvimento com o tráfico de entorpecentes ou por "invadirem" o território alheio.

No Zumbi dos Palmares, fundado em 1988, o cenário é semelhante ao de um presídio: todas as salas são gradeadas, as¬sim como os acessos às escadas e à caixa d´água. Durante a noi¬te, as aulas são ministradas com portões trancados a cadeado, para evitar que integrantes de facções rivais invadam as salas dos colegas. Para completar, a laje da escola serve como rota de fuga dos traficantes: passando por cima do colégio, eles saem em uma rua onde se concentra boa parte das bocas de fumo do bairro.

As ameaças de inva¬são ao colégio se repetem, e os funcionários vivem sob tensão constante "Eu nunca trabalhei em um lu¬gar assim. Nas outras escolas, eu via alunos morrerem raramente e por motivo de doença. Aqui, as mortes são cruéis: é esquartejamento, tiro na cabeça, corpo carbonizado", afir¬ma outro funcionário, lembrando¬-se do corpo do irmão de um aluno, que apareceu com a língua pregada na testa. Para familiares de ex-alu¬nos, a escola não é a culpada, mas o ambiente não é mesmo dos melho¬res. "Falta higiene, segurança. Tem alunos que praticam sexo na escola, usam drogas".

O número elevado de assas¬sinatos no colégio assusta quem está de fora e deixa apreensivos os funcionários que convivem com o problema. Mas, lá, a situação é banal. "As aulas nem são mais sus¬pensas, de tão comum que isso se tornou. Entre os outros alunos, há comoção quando morre alguém que não era envolvido com o cri¬me. Mas quando é alguém ligado ao tráfico, a morte já é até espera¬da", afirma um funcionário.

No entanto, a Secre¬taria de Educação do Estado da Bahia (SEC) ignora os dados, afirma não ter conhecimento dos números de alunos mortos e transfere a responsabilidade por computar os números à pasta de Segurança Pública (SSP-BA), que também não o faz. Em suma, o poder está entregue ao tráfico.

Extraído de matéria publicada no Jornal da Metrópole, de Salvador

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