Por: Redação/ Atlântica News
17/06/2026 - 15:37:05

Uma operação conjunta do Ministério Público da Bahia (MPBA) e da Polícia Federal (PF) desarticulou, nesta quarta-feira (17), uma organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e outras atividades ilícitas no sul da Bahia. Batizada de “Conexão Perigosa”, a ação cumpriu 22 mandados de busca e apreensão no distrito de Arraial d’Ajuda, em Porto Seguro, e resultou no bloqueio judicial de R$ 97,79 milhões em bens dos investigados.

De acordo com as investigações, o grupo atuava há pelo menos dez anos na região e exercia influência sobre comunidades locais por meio de violência, ameaças e intimidação de moradores e autoridades. As apurações também apontam que o líder da organização mantinha contatos frequentes com pelo menos três agentes políticos de Porto Seguro, que também foram alvos dos mandados judiciais.

A operação integra uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), com o objetivo de enfraquecer facções criminosas em diferentes estados do país. A ação foi executada por equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco Sul), do MPBA, em conjunto com a Polícia Federal.

Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos aparelhos celulares que serão analisados e poderão contribuir para o avanço das investigações.

Esquema de lavagem de dinheiro

Segundo o MPBA, a organização utilizava um sofisticado esquema de lavagem de capitais dividido em três etapas. A primeira consistia na realização de depósitos fracionados em espécie para inserir recursos ilícitos no sistema financeiro sem despertar alertas automáticos das instituições bancárias.

Na segunda fase, os valores eram movimentados por meio de contas de terceiros, conhecidos como “laranjas”, em operações de triangulação financeira destinadas a ocultar a origem do dinheiro. Por fim, os recursos eram reinseridos na economia através de empresas de fachada, conferindo aparência de legalidade ao patrimônio obtido de forma ilícita.

As investigações continuam para identificar possíveis novos envolvidos. Caso sejam condenados pelos crimes apurados, os investigados poderão receber penas que, somadas, ultrapassam 50 anos de prisão.

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