Por: G1
24/07/2020 - 15:34:20

O cacique Juvenal Tupinambá e algumas lideranças da Aldeia Taquari, localizada em Eunápolis, contaram que foram ameaçados de morte nesta quinta-feira (23). A informação foi divulgada pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS).

Segundo o cacique, em entrevista ao G1, cerca de 16 homens participaram da situação. Um deles alegava ser dono da terra.

A situação ocorreu entre 9h30 e 10h de quinta. Segundo o cacique, assim que chegaram, os homens alegaram que eram donos da terra, mas nenhum comprovou através de documentos.

"Ele disse que as terras são dele. Mas ele não teve documento. Não existem esses documentos. Nós perguntamos se ele tinha documento para entrar na Justiça. E ele disse que não tinha documento e que não entraria na Justiça", disse o cacique.

Ainda de acordo com o cacique, logo após anunciar que era dono da terra, um dos homens afirmou que já tinha matado outras pessoas e que queria matar mais. Segundo o cacique, ele foi identificado como responsável por fazenda de produção de mudas de café na região.

"Eles chegaram em quatro carros. Eram 16 homens, contando com o que disse ser dono da terra. Eles estavam armados. Estava todo mundo armado. Ele chegou, disse que era dono da terra e me falou que já tinha matado outros quatro. Mas disse que tinha que tinha que colocar fogo em mais pessoas. Ele disse que tinha mandado matar outras pessoas. Ele me falou", contou.

O cacique ainda contou que o grupo efetuou alguns disparos antes de deixar a aldeia. Mais tarde, foram ouvidos novos tiros no local. As lideranças indígenas pontuaram, no entanto, que não podem confirmar se os mesmos homens são os responsáveis pelos os outros disparos.

"Eles atiraram dentro da nossa terra, para intimidar. Eles ameaçaram, atiraram dentro da nossa terra e foram embora. Três horas depois teve outro tiroteio dentro da terra. Mas a gente não conseguiu identificar quem deu esses tiros.

Por meio de nota, a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS) informou que expediu ofício para o Ministério Público Federal de Eunápolis, Polícia Federal, Polícia Civil e Polícia Militar da Bahia, Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Ministério Público Estadual em Eunápolis, e aos conselhos nacional e estadual de Direitos Humanos, solicitando a investigação e apuração dos fatos.

A secretaria pontou ainda que, após contato com a Coordenação de Conflitos Fundiários da Polícia Militar da Bahia, equipes da Polícia Militar foram ao local e realizaram rondas.


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