Por: Nádia Simonelli
03/08/2020 - 18:28:09

Nem toda queda de cabelo pode levar à calvície feminina, mas, em alguns casos, é preciso prestar atenção aos sintomas e procurar logo a dermatologista. Para esclarecer todas as dúvidas sobre esse assunto, que deixa muitas mulheres aflitas, falamos com especialistas.

Principais causas da queda de cabelo

De acordo com a dermatologista Bárbara Machado Magalhães, a principal causa queda de cabelos em mulheres é chamada de eflúvio telógeno agudo. "É um tipo de perda de cabelos transitória, que ocorre de dois a três meses após um fator estressor de causa física, como emocional. Pode durar entre dois e quatro meses e observamos, principalmente, o aumento do bolo de cabelos que cai no chuveiro ou que fica na escova", explica.

O eflúvio telógeno pode ocorrer após uma cirurgia, febre, gripe, após doenças ou infecções, a exemplo do coronavírus, pelo uso de medicamentos, interrupção da pílula anticoncepciconal, por dietas emagrecedoras muito restritivas e também após o parto. "É importante lembrar que esse tipo de queda melhora sozinha, não gera calvície e o cabelo volta a crescer se não tiver nenhuma doença associada. Caso continue após esse período é preciso investigar outras causas", alerta a médica.

Mas, existem outros dois tipos de queda de cabelo em mulheres que podem gerar calvície. "A alopecia androgenética é a forma mais comum, tanto em homens como em mulheres. É geneticamente determinada e começa na adolescência, porém, só se torna aparente em torno dos 40, 50 anos", explica Bárbara. Nesse caso, os fios vão ficando progressivamente mais finos e ralos, o couro cabeludo mais aparente com alargamento da risca branca do cabelo. Os fios vão crescendo mais devagar e podem ficar mais claros.

Outra causa de calvície é a alopecia senil, um tipo de queda de cabelo lenta e progressiva que ocorre com a idade. "Existe afinamento difuso dos fios, que surge, em geral, após os 50 anos. Porém, após os 50 anos os fios tendem a ficar mais grossos, o que pode ajudar no quadro", completa.

Quando a queda de cabelo é preocupante?

É importante frisar que cada caso deve ser avaliado individualmente, mas se você identificar que houve um aumento considerável no volume normal de queda nas lavagens e no seu dia a dia é preciso procurar ajuda médica. "Principalmente se começa a notar falhas pela cabeça", avisa a cirurgiã plástica Juliana Sales, especialista em implante capilar.

Fique atenta também à duração do período de queda. "Quando durar mais do que quatro meses ou se notar que a risca do cabelo está ficando mais alargada é preciso procurar um dermatologista para saber a causa", afirma Bárbara. Isso porque, apesar de alguns tipos de queda melhorarem sozinhos, outros precisam de tratamento específico e, quanto antes começar, melhor será o resultado.

Como é o diagnóstico e quais são os tratamentos?

Antes de decidir qual tratamento é ideal, é preciso acertar o diagnóstico e checar se é uma queda de cabelo pontual ou calvície. O diagnóstico considera o histórico da paciente, história familiar, exame físico, exame de sangue, tricoscopia e, algumas vezes, pode ser necessária até uma biópsia. "Uma vez diagnosticada a alopecia androgenética, ela deve ser tratada rapidamente para que não evolua", explica Juliana.

Mas, vamos por partes. Se for o eflúvio telógeno, não há um tratamento específico. "O cabelo recupera espontaneamente, mas há alguns estimuladores do crescimento que podem ser aplicados em forma de loção para acelerar o processo e, caso haja alguma deficiência de vitaminas, é possível repor com comprimidos de tomar", explica Bárbara.

Já, se for constatada uma alopecia androgenética, é necessário o uso de estimuladores do crescimento na forma de loção ou em comprimidos e bloqueadores hormonais, usados por via oral. "Pode ser coadjuvante no tratamento, a infusão de medicamentos direto no couro cabeludo com microagulhas. O transplante capilar pode ser feito em casos mais extensos. Quanto antes o tratamento começar melhores os resultados", afirma Bárbara. Se for uma alopecia senil, o uso de estimuladores de crescimento e a reposição de vitaminas, se necessário, são as ações mais indicadas.

No caso da alopécia androgenética, vale ressaltar que o tratamento deve ser para sempre. "Trata-se de uma condição crônica e, portanto, apresenta caráter progressivo. Em casos extremos, que atingem um nível de perda capilar que impacta na aparência e autoestima das mulheres, levando a transtornos psicológicos e possíveis mudanças na vida pessoal e profissional, é necessário fazer uma restauração capilar", afirma Juliana.

Karina Gilio, cirurgiã plástica e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, traz uma novidade sobre tratamentos para calvície. "Um tratamento que vem sendo usado no Brasil é o Plasma Rico em Plaquetas, o PRP, quando o sangue é retirado da própria paciente, processado e injetado no couro cabeludo", explica. Apesar de ainda ser experimental, esse tratamento já é usado em outras áreas da saúde e pode ser feito desde que a paciente assine um termo de autorização, segundo a cirurgiã.

"A técnica consiste em retirar o sangue do braço da paciente e colocar em uma centrífuga, que separa as células e faz um processo de desinfecção por meio de mudanças de temperatura. O intuito é separar o plasma, uma parte líquida que contém os fatores de coagulação, anticorpos e outras proteínas, das hemácias (glóbulos vermelhos) ou os leucócitos (glóbulos brancos). Este método, que é indolor, estimula as células-tronco foliculares do couro cabeludo, promovendo o crescimento dos fios", explica.

Como lidar com a calvície no dia a dia?

As recomendações, em geral, para evitar probemas com queda de cabelo incluem alimentação balanceada, dormir bem, hidratação adequada, cuidado ao pentear evitando muita tração e evitar dormir de cabelo úmido. "Neste momento de pandemia, em que a recomendação é lavar os cabelos diariamente, deve-se evitar água muito quente, retirar sempre o excesso de shampoo e, se for permanecer em casa, não lavar", detalha Juliana. Já, quem sofre com alopecia androgenética, além desses cuidados, deve levar a sério o tratamento para sempre, por se tratar de uma condição crônica.

Evite também a tração excessiva com rabos de cavalo ou coques muito tensos. "Eles podem aumentar a queda de cabelo e piorar o quadro", afirma Bárbara. E, caso não queira lavar todos os dias, fica o alerta: "O acúmulo de oleosidade e sujidades atrapalham o crescimento. É saudável lavar os cabelos todos os dias ou em dias alternados", diz Bárbara.

Já Karina, ensina um truque. "A calvície feminina ocorre mais no topo. Se a mulher quer esconder o problema, pode usar penteados, mas sem friccionar demais o couro cabeludo ou usar elásticos, próximo da região em que está o problema", diz. Vale investir também em lenços ou bandanas, que conferem charme extra ao visual. "Não tente nenhuma receita caseira porque pode piorar o problema. E quanto mais cedo procurar um especialista, melhor", alerta a cirurgiã.

 

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