
Seis policiais, sendo dois civis e quatro militares, foram afastados cautelarmente de suas funções após decisão da Justiça, no âmbito da ação penal que apura as mortes de Victor Cerqueira Santos Santana, conhecido como “Vitinho”, e Davisson Sampaio dos Santos, o “Alongado”. Os homicídios ocorreram durante a Operação Travessia, realizada em maio de 2025, no distrito de Caraíva, em Porto Seguro.
A decisão foi proferida pela 1ª Vara Criminal de Porto Seguro, que recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) e acolheu os pedidos formulados pelo Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp). Além do afastamento das atividades, os agentes também estão proibidos de manter contato com familiares das vítimas e testemunhas do caso.
Segundo a denúncia, os seis policiais responderão por dois homicídios qualificados, com as qualificadoras de motivo torpe, emprego de meio que resultou em perigo comum, recurso que dificultou a defesa das vítimas e utilização de arma de fogo de uso restrito. Os denunciados integravam uma equipe formada por policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), responsável pela Operação Travessia.
De acordo com o MPBA, uma das vítimas foi atingida por diversos disparos em via pública, enquanto a outra teria sido abordada, revistada e, em seguida, alvejada. Laudos periciais apontam ainda a existência de lesões compatíveis com agressões físicas sofridas antes dos disparos.
Além das acusações de homicídio, os dois policiais civis também foram denunciados por fraude processual. Conforme o Ministério Público, eles teriam alterado a cena do crime após as mortes, com o objetivo de dificultar a reconstrução da dinâmica dos fatos durante as investigações.
Já as supostas condutas de fraude processual atribuídas aos policiais militares serão analisadas posteriormente pela Vara de Auditoria Militar, órgão competente para apuração desse tipo de infração.
Com o recebimento da denúncia, os policiais passam à condição de réus e responderão ao processo criminal, no qual terão assegurados o direito ao contraditório e à ampla defesa.