Por: Redação/Atlanticanews
23/01/2024 - 08:44:08

Foi sepultado nesta segunda-feira (22) o corpo da indígena Pataxó Maria de Fátima Muniz de Andrade, no município de Pau Brasil, sul da Bahia. Uma comitiva do Governo do Estado com a participação da titular do Ministério dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajajara, está na região para monitorar a situação de conflito que levou à morte da pajé e ao ferimento de ao menos outras sete pessoas, dentre elas, o irmão de Maria de Fátima, cacique Nailton Muniz, da Terra Indígena Caramuru-Catarina Paraguassu.

Situação aconteceu durante a ação de um grupo intitulado Movimento Invasão Zero — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Mariana Ferreira/atlanticanews

"Nós estamos aqui para dizer do nosso compromisso de continuar apoiando e fazendo com que essa demarcação das terras indígenas aconteça. É preciso que haja uma correção da área demarcada", afirmou a ministra. Os secretários de Promoção da Igualdade Racial, Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), Ângela Guimarães, e de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), Felipe Freitas, e a superintendente de Políticas para os Povos Indígenas, Patrícia Pataxó Hã-hã-hãe, lideram a comitiva que acompanha de perto o confronto ocorrido entre fazendeiros e indígenas Pataxó Hã-hã-hãe. O conflito se deu na manhã do domingo (21), durante retomada do território indígena Caramuru.

Foto:Mariana Ferreira/Atlanticanews

A comitiva do governo baiano está na região prestando apoio aos familiares, acompanhando os desdobramentos do conflito e adotando medidas. Equipes da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) também estão prestando assistência necessária às vítimas atingidas durante o conflito. Além disso, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) determinou reforço do patrulhamento na região com unidades territoriais e especializadas da Polícia Militar (PM). Equipes da Polícia Civil também estão na região coletando depoimentos.

“O Governo do Estado está prestando toda a assistência para que sobreviventes se recuperem e possam contribuir nas investigações. Ao lado disso, tem trabalhado com rigor na apuração, investigação e punição dos envolvidos”, afirma a titular da Sepromi, Ângela Guimarães.

“Visitamos, mais cedo, as vítimas do atentado contra integrantes da Aldeia Caramuru Catarina Paraguassu e reafirmamos nosso compromisso com a defesa do Estado de Direito e da legalidade democrática. Estamos nos deslocando para o velório de Nega Pataxó. O governador determinou total prioridade nas investigações e reforço ao policiamento para proteger as comunidades indígenas da região’, declarou o secretário Felipe Freitas.

Foto: Mariana Ferreira

Conversas

O Ministério dos Povos Indígenas informou que a ação que resultou na morte da indígena foi organizada por cerca de 200 fazendeiros por meio do aplicativo de mensagens Whatsapp, em um grupo autointitulado "Invasão Zero". De acordo com o Ministério, a mobilização aconteceu na Fazenda Inhuma, na região de Potiraguá. A área foi ocupada por indígenas no último sábado (20), por ser considerada pelos Pataxó Hã Hã Hãe como de ocupação tradicional.

Os fazendeiros e comerciantes cercaram a área com dezenas de caminhonetes e tentaram recuperar a propriedade, sem decisão judicial. Na mensagem que foi distribuída por meio do Whatsapp, os fazendeiros informaram que a convocação seria em "caráter de urgência" para ação de reintegração da propriedade invadida. Eles determinaram o Rio Pardo, na entrada de Pau Brasil, como ponto de encontro.

Dois fazendeiros foram detidos, incluindo o autor dos disparos que vitimaram Maria de Fátima. Um indígena que portava uma arma artesanal, também foi detido. Segundo a Polícia Militar, um fazendeiro foi ferido com uma flechada no braço, mas está estável. Entre os feridos está uma mulher que teve o braço quebrado. Outras pessoas que se machucaram foram hospitalizadas, mas não correm risco de morte.

 

COMENTÁRIOS

Nome:

Texto:

Máximo de caracteres permitidos 500/