Por: Roberto Martins
22/12/2023 - 22:08:30

Tu sabes? Outrora O havia um rio, um grande rio, cheio d’água.

Tu já viste um rio cheio d’água?

Pois é, havia, havia aqui.

Era um rio tão cheio d’água...

E tu sabes que a água é a fonte da vida?

Pois é: o rio era cheio d’água, logo, cheio de vida!

Em suas águas viviam tantos peixes que o rio ganhou o nome:

Rio dos Peixes!

E suas margens? Ah! em suas margens habitavam imensas florestas

Florestas cheias de grandes árvores: Jacarandás, paus-brasil,

Pequis, vinháticos, canelas...

Não tinha cravo, mas tinha a cor de canela e a árvore doce. 

Suas margens eram também cheias de Buranhém, 

A árvore doce, da casca doce, do fruto doce, 

Que adoçava a vida dos nativos e lhe deu o nome original: 

Rio Buranhém!

O rio vem lá do alto das serras das gerais mineiras,

Caminha sinuosamente por entre serras e morros, baixios e planos, 

Até desaguar, lá longe, no mar.

Naquele porto, que desde Cabral, chamam de seguro.

 

São milhões os seres vivos, vegetais e animais que se nutrem de suas águas.

Das onças pintadas aos pequenos coelhos e preás.

Da imponente anta, aos veados e cotias.

E todos os tipos de macacos, do prego, aos saguins.

 

Afora aqueles, além dos peixes, que vivem em suas águas:

Jacarés, jiboias, lontras e ariranhas, tartaruga d’água

Todos a curtirem seu frescor e os alimentos encontrados em seu leito,

Leito farto de vida!

 

Afora o animal de dois pés, altivo, consciente da vida:

Plantava, colhia, caçava, coletava os frutos.

Mas nunca demais, sempre pensando no amanhã:

No amanhã a mesma terra alimentaria seus filhos.

Mas um dia o homem branco chegou, vindo de mares distantes.

As grandes árvores, cortou;

Dos animais, fez sei alimento;

Do rio, sua reserva de pesca.

 

 

 

De repente o rio começou a sentir:

Os homens retiravam muitas de suas águas para beber, 

Banhar-se todos os dias, irrigar plantações e alimentar indústrias.

Devolvia apenas os dejetos infectados!

 

E o rio foi perdendo suas águas, seu vigor, sua vida.

As pedras que guardavam as tocas onde viviam os pitus,

Mostraram-se como se costelas fossem,

Retratadas pela teleobjetiva de Urbino.

 

Pois é, o rio está mal,

Muito mal.

Sobreviverá? Quem sabe?

Quem sabe, talvez, um dia?

Tu sabia, tu viu?

Como ser vivo o rio nasce, o rio cresce, o rio corre, 

Mas um dia o rio mostra suas costelas de pedras descarnadas:

O rio morre!

 

Roberto R Martins, Eunápolis, 22/12/23.

COMENTÁRIOS

Nome:

Texto:

Máximo de caracteres permitidos 500/