Por: Redação, com TV Santa Cruz
16/02/2022 - 07:24:59

O terreiro de candomblé Logun Edé, que existe há mais de 40 anos em Eunápolis, sofreu um novo ataque de intolerância religiosa em menos de 48 horas do primeiro ataque e o pastor João Paulo Queiroz, da Assembleia de Deus, do bairro Juca Rosa, negou a prática de intolerância religiosa dele e de outros integrantes da igreja.

Na tarde de domingo (13), um grupo da Assembleia de Deus foi ao local para pregar o evangelho e pisoteou o assentamento de Exu, agredindo a ilaorixá e os filhos de santo. Na manhã desta segunda-feira (14), vândalos estiveram no local e destruíram o assentamento, que ficava na esquina do terreiro Logun Edé. E nesta terça (15), as pedras foram encontradas reviradas e até a placa de concreto, que ficava por baixo de uma camada de terra, foi retirada. Uma panela e algumas oferendas que estavam enterradas no buraco foram retiradas e levadas pelos vândalos.

 

O pastor afirma que o grupo apenas orava na frente do local quando ele e o grupo foram agredidos pelos integrantes do terreiro. "Todos estavam fazendo trabalho de evangelização, nós já tínhamos percorrido várias ruas quando nós paramos ali, começamos a louvar e a fazer orações. Nós que fomos atacados por gestos, por palavras, até que veio agressão física", disse o pastor. Essa versão é negada pelos denunciantes.

"Estávamos numa cerimônia lá dentro e, quando saímos, vimos essa bandalheira. Se levaram a panela é roubo. E isso não pode ficar assim não", disse o pai de santo José das Virgens.

"Eles aproveitaram a zoada dos tambores, cavaram, tiraram as pedras, e levaram as panelas que eram em meu benefício", relatou a ialorixá Maria Luziene.

Indignada, a ilaorixá registrou mais uma vez uma queixa na delegacia de Polícia Civil. "Mais uma queixa! Eu moro há 44 anos nesse terreiro em Juca Rosa e eu não me envolvo com a vida dos outros", contou Maria Luziene.

A advogada do terreiro, Janaína Panhossi, afirmou que intolerância religiosa é crime e pediu providências. "É um crime e precisa ser combatido, é um ataque à sua liberdade de fé, à pessoa humana, já cedemos as imagens e esperamos que as autoridades penalizem quem vem fazendo esse crime inaceitável", disse a advogada. A Polícia Civil está investigando o caso.

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