O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou doação de 20 toneladas de alimentos em seis cidades do extremo sul do estado na última sexta feira (17). Foram contempladas instituições sociais como orfanatos, creches, casas de acolhimento a idosos e hospitais de Eunápolis, Porto Seguro, Guaratinga, Itamaraju, Teixeira de Freitas e Medeiros Neto.

De acordo com o movimento, a jornada de luta que acontece anualmente no mês de abril foi ressignificada esse ano devido à pandemia da covid-19. “O Movimento criou uma nova estratégia esse ano para que a jornada de luta pudesse prosseguir com a doação de alimentos para as famílias que estão passando por situação difícil”, explicou.

A arrecadação aconteceu no dia 16 em todas as áreas de assentamentos e acampamentos da região, lotando os carros e caminhões com uma variedade de alimentos. As 20 toneladas incluem feijão, farinha, frutas, legumes, hortaliças e leite. “A ação realizada seguiu todas as orientações dadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde)”.

“O esforço coletivo da doação é uma forma de contribuir com as famílias da área urbana que têm sofrido com os impactos econômicos gerados pela pandemia do novo coronavírus. O ato integra a campanha de solidariedade do MST que tem acontecido em todo território brasileiro organizado pelo Movimento”.

Exemplos
O MST destaca exemplos da luta que passaram dificuldades na cidade, como dona Maria Eliete (54), do acampamento Paulo Kageyama, no município de Eunápolis, que viveu em área rural até os oito anos de idade, quando mudou-se para a cidade com a família.
“Eu trabalhava de empregada, ganhava um salário [mínimo], não dava. E como ambulante nos finais de semana. Eu ia dormir pensando nas contas do final do mês e era muito difícil”, conta.
Hoje, morando no acampamento, Eliete diz que produz seu próprio alimento. “Feijão, meu autossustento. E pra mim é uma satisfação estar doando alimentos para o pessoal da cidade, porque eu sei que a vida lá não é fácil”.
De acordo com a direção do movimento da região, “foi momento muito gratificante para nós junto aos nossos companheiros e companheiras da região organizar um ato tão importante como esse”. “A reforma agrária se faz com pessoas organizadas, produzir agroecologicamente e levar para a mesa da população é a nossa maior alegria”.
“Não podemos deixar de ressaltar que a data desta doação foi escolhida por marcar em nossas memórias o massacre de Eldorado de Carajás, ocorrido no dia 17 de abril de 1996, e que resultou na morte brutal de 19 militantes e 51 feridos. Até hoje nenhum responsável pelas mortes se encontra preso. Continua impune há 24 anos. Tentaram cala a nossa voz, mas apenas acendeu ainda mais a nossa chama de luta. Em tempo de pandemia, a nossa voz continua a soar através da produção de alimentos saudáveis, a união da classe trabalhadora e com os atos de solidariedade para aqueles que mais precisam”.
Doação de sangue
A Juventude Sem Terra no Extremo Sul da Bahia ainda organizou um ato de doação de sangue.

“Envolver a nossa juventude em atividade como essa, de solidariedade, desperta nela o espírito revolucionário na transformação de uma sociedade mais justa e igualitária”, afirmou Adelaide Purificação, do setor de Juventude do MST no Extremo Sul, que relata que a ideia da campanha de doação de sangue surgiu ao perceberem a necessidade que os bancos de sangue estão tendo durante a pandemia.
“As ações de solidariedade que o MST vem desenvolvendo são nossa lembrança constante, nossa resistência e nossa luta em memória dos companheiros que foram massacrados em Eldorado dos Carajás, na curva do S no Pará.