Por: Redação, com El País
17/09/2018 - 02:07:28

O grupo “Mulheres Unidas contra Bolsonaro” no Facebook, que ganhou ampla repercussão nas últimas duas semanas por ter reunido milhões contra o candidato do PSL, é alvo de uma escalada de ataques cibernéticos, que vão desde a mudança do nome da mobilização, trocado para um de teor a favor do militar reformado de ultradireita, à ameaça direta às moderadoras.

Na madrugada deste domingo, 16, o grupo, que já contava com 2,2 milhões de participantes e mais 2 milhões aguardando suas solicitações para participar serem aceitas, ficou fora do ar, enquanto a campanha de Jair Bolsonaro no Twitter comemorava a mobilização de mulheres favoráveis a ele. No início da tarde deste domingo, o Facebook informou que, após investigação, "o Grupo foi restaurado e devolvido às administradoras”. Mas logo depois voltou a ser derrubado e já à noite voltou ao ar, reunindo um total de 2,5 milhões de mulheres.

Desde sexta-feira já havia sinais da ofensiva contra a mobilização. Neste dia, a administradora M.M. foi a principal afetada, e teve suas contas no Facebook e no WhatsApp invadidas. De acordo com as organizadoras, os ataques começaram por volta das 14h na sexta. Antes disso, moderadoras e administradoras haviam recebido ameaças em suas contas no WhatsApp. Os invasores exigiram que o grupo fosse extinto até às 24h de sexta-feira e tentaram intimidar as responsáveis pelo grupo ameaçando divulgar seus dados pessoais como CPF, RG, Título de eleitor, nome da mãe, entre outros dados extremamente sensíveis.

Além disso, os responsáveis fizeram diversas postagens no grupo com teor ofensivo contra as participantes como as mensagens “esquerdistas de merda” e “Anonymous não quer esquerdista! Bando de mulher atoa q ao tem oq que fazer” (sic). A imagem de capa do grupo também foi alterada com as assinaturas 'Eduardo Shinok' e 'Felipe Shinok', supostos autores da invasão. Em seguida, um perfil alterou o nome do grupo para 'Mulheres COM Bolsonaro' e iniciou-se uma disputa pelo nome do grupo que criou confusão entre as participantes. Algumas pessoas passaram a recomendar a saída do grupo, enquanto outras pediam calma e alertavam sobre o ataque.

Os ataques acontecem em um momento em que a rejeição do eleitorado feminino ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) tenta passar de uma mobilização massiva no Facebook para um ato nas ruas. O evento "Mulheres contra Bolsonaro" foi agendado para 29 de setembro em vários estados.

Na última semana, os apoiadores do militar empenharam esforços para tentar conter a onda, mas fracassaram em dar uma resposta feminina à altura. Os apoiadores do candidato do PSL criaram diversos grupos na tentativa de reunir as apoiadoras do ex-capitão do Exército. O principal deles é o grupo "Mulheres Com Bolsonaro #17 (OFICIAL)", que já conta com 403.945 perfis aprovados pela moderação, pouco mais de um terço do volume de perfis engajados contra o candidato. Outra tentativa foi o grupo "Mulheres unidas A FAVOR de Bolsonaro" reúne 48.346 membros aprovados e demanda dos participantes que curtam a página "Bolsonaro Heroi Nacional".

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