
O comportamento “reservado” e alheio a conversas - até porque a maioria não fala nem entende o português -, são características de cerca de duas dezenas de chineses que, a partir de meados de 2012 se estabeleceram no comércio em Eunápolis.
O primeiro estabelecimento foi a Pastelaria da China, na rua Cinco de Novembro, alguns meses depois, outras duas nas ruas D. Pedro II e Ruy Barbosa, e hoje, já são seis pequenos comércios, entre lojas de miudezas e pastelarias, todas localizadas na região central da cidade.
São chineses de várias regiões daquele país, que imigraram para o Brasil, através do Rio de Janeiro e São Paulo. Os de São Paulo vieram depois para Itabuna, e da cidade grapiuna, para Eunápolis. Outro grupo menor, parte de um núcleo familiar, veio direto do Rio de Janeiro para a nossa cidade.
Chamou-nos a atenção, o fato desse grupo de imigrantes praticamente não falar o nosso idioma – são poucos os que conseguem articular três ou quatro frases no idioma pátrio numa conversa. Talvez por isso, a relação entre eles e os vendedores que trabalham nas suas lojas, é restrita a poucos diálogos: “nossa conversa é meio na mímica”, resumiu uma balconista que preferiu não ser identificada.
Durante a nossa estada nesses estabelecimentos comerciais, nos chamou também a atenção, uma espécie de distância que há entre lojistas e empregados. Quando não há cliente nas lojas, os donos ficam quase sempre a sós, na parte interna do balcão, conversando em mandarim – língua oficial da China -, enquanto os vendedores, mais para o centro da loja, conversam entre si.
Destaca-se também no ambiente de trabalho, o contraste entre as faces lívidas, aparentemente desprovidas de sentimento, própria dos orientais, e o afetuoso jeito brasileiro, estampado nos rostos das vendedoras e balconistas.
Características culturais à parte, ganha o comércio local, novas lojas e o jeito chinês de ser. E cresce a população de orientais na nossa cidade, iniciada a partir de meados da década de 70, com a chegada dos japoneses - seu Suekichi Seguchi e família, os primeiros a chegar (em 1975), foram pioneiros no plantio e comercialização de flores ornamentais. População que cresceu, e aqui se dedicou ao cultivo de hortaliças, chegando a fundar em 1988, o Projeto Cotia, uma cooperativa agrícola, que foi extinta em 92.
Como os japoneses há quase 40 anos, esses novos orientais chegam para se unir a gente de outras nacionalidades e de outras regiões do Brasil, para começar vida nova, e contribuir para o desenvolvimento e a miscigenação dessa população, cada vez mais branca, parda e negra.
*Teoney Guerra é pesquisador da história e aspectos socioeconômicos de Eunápolis.