
Claudionor Viana Teles Veloso, mais conhecida como Dona Canô, morreu aos 105 anos, nesta terça-feira (25), em sua casa, localizada na cidade de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano. Dona Canô passou a noite de Natal em casa, com os filhos, entre eles Caetano Veloso e Maria Bethânia.
Nascida em 16 de setembro de 1907, Claudionor Viana Teles Veloso construiu sua história no Recôncavo Baiano, no município de Santo Amaro da Purificação. Os filhos biológicos são; Clara, Roberto, Caetano, Bethânia, Rodrigo e Mabel. Dona Canô adotou as filhas Irene e Nicinha. Era viúva de “Seu Zeca”, que morreu em 1983, com 82 anos.
Segundo a família, o velório será realizado até as 18h desta terça-feira, em casa, com acesso apenas dos parentes. Depois disso, o corpo de Dona Canô será levado para o Memorial Caetano Veloso, na Praça da Purificação, onde os moradores poderão se despedir da matriarca. O sepultamento está marcado para 10h de quarta-feira (26), no cemitério de Santo Amaro. Antes, a família vai realizar uma missa de corpo presente na Matriz da Purificação.
Dona Canô esteve internada por seis dias, recebendo alta do Hospital São Rafael, em Salvador, na sexta-feira (21). Ela tinha sofrido um ataque isquêmico cerebral, que gera redução do fluxo de sangue nas artérias do cérebro, segundo informou o boletim médico.
No dia 16 de setembro de 2012, Dona Canô completou 105 anos e segundo a família, nunca apresentou problemas graves de saúde. Em 5 de novembro deste ano, ela foi internada no Hospital São Rafael, após apresentar sintomas de gripe com febre. Ela permaneceu internada até o dia 9, quando recebeu alta.
Conhecida por sua personalidade forte e receptividade, Dona Canô participava sempre da tradicional Festa de Reis em Santo Amaro, que reúne milhares de pessoas em toda região. A celebração de seus aniversários também se tornou um marco, atraindo muitas pessoas para a festa.
Atrás da aparência frágil, com um corpo miúdo e fala mansa, Dona Canô escondia a longevidade de poucos e a saúde considerada “de ferro”. Ela repetiu em diversas oportunidades que era dona de uma fama que sempre disse não entender o motivo, referindo-se ao intenso interesse da imprensa sobre ela e sua vida em Santo Amaro da Purificação.
Autêntica e mãe de dois grandes nomes da Música Popular Brasileira, Dona Canô se tornou um símbolo não só de Santo Amaro, como do Recôncavo Baiano. Sempre lutou para melhorar a cidade e acolheu os moradores como uma mãe.
O sobrado de número 179, no centro de Santo Amaro, se tornou um dos pontos turísticos do município. A casa onde residiu Dona Canô e a família Veloso sempre esteve com as portas abertas para baianos e turistas.
Nas entrevistas que dava para a imprensa, Dona Canô costumava destacar a felicidade que sentia ao poder ter vivido o suficiente para acompanhar o crescimento dos filhos e netos, tendo até conhecido os bisnetos. Sua lucidez a acompanhou até os últimos dias de vida.
Ativa, era sempre Dona Canô quem cuidava das contas de casa e decidia o cardápio na cozinha. Também sempre foi muito conhecida pela vaidade. Foi uma mulher marcada pela religiosidade. Em casa, guardava há anos várias imagens religiosas. A maioria foi dada por amigos e até por desconhecidos. Foi com a ajuda da matriarca que a festa de Nossa Senhora da Purificação transformou-se em um evento famoso na Bahia.
Uma das principais comemorações de aniversário foi os 100 anos de Dona Canô em 2007. O dia foi de flores, presentes e visitas de amigos e dos filhos. Na igreja de Nossa Senhora da Purificação, foi realizada uma missa em homenagem à matriarca.
A vida de Dona Canô também inspirou o historiador Antônio Guerreiro de Freitas, que publicou em 2009 a biografia "Canô Velloso, lembranças do saber viver", escrita também por Arthur Assis Gonçalves da Silva, que faleceu antes do término da obra.
Dona Canô também está no nome do teatro fundado há nove anos em Santo Amaro com a sua contribuição. A filha Mabel Velloso lançou o livro “O Sal é o Dom – Receita de Mãe Canô” reunindo receitas feitas pela mãe.