Por: Redação / atlanticanews
23/11/2020 - 00:00:11

O escritor e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo Roberto Martins prestou homenagem a Ademar Ramos Rio, falecido na última terça-feira (17), vítima de uma parada cardíaca após passar por cirurgia em decorrência do rompimento de um aneurisma. Confira:

O falecimento do senhor Ademar, abre mais uma lacuna na história de nossa cidade. Primeiro oficial do registro de imóveis da nova comarca que se emancipava de Porto Seguro. Sei que Ademar teve mais de uma nomeação até porque naquele período houve a nova constituição brasileira e baiana a estabelecer novas regras. Mas a primeira nomeação, com certeza, foi do saudoso governador Waldir Pires. Ademar Ramos, que tem no Ramos o parentesco com nosso velho doutor Ramos então deputado estadual, que foi o artífice do enriquecimento da nova cidade com a ilustre figura que veio do seco sertão para o fértil extremo sul.

Convivi muito com Ademar. Afinal era – sou – um dos mais antigos corretores de imóveis da cidade. Pela experiência acumulada, sempre estávamos a conversar sobre os problemas novos e antigos, desta jovem mas complicada nova cidade. Em muitos casos havia vários andaram na propriedade da mesma terra urbana. Além disso era sempre preciso buscar o registro original da propriedade em Porto Seguro, uns raros casos ainda em Belmonte, comarca da qual se originou a de Porto (1962). Quer dizer, se restabeleceu a comarca, originalmente uma das mais antigas do Brasil (1534), quando foi criada a capitania. Mas tarde a decadência a transferiu para Belmonte, e agora retornava a seu lugar original. Eunápolis emancipada virou logo sede de nova comarca que Ademar veio a ocupar o registro de imóveis.

Ademar irradiava simpatia e simplicidade. A todos atendia e os problemas resolvia. Nos últimos anos não gozava de boa saúde. Mas não deixava de estar presente no cartório todos os dias, muitas vezes sentado ali na porta, pitando o seu cigarrinho, vicio que nunca deixou. Eu reclamava dele:

– Tá na hora, Ademar, Deixe o cigarro. Eu já deixei fazem muitos anos...

Ele justificava. Fumava pouco. E era um dos poucos prazeres que mantinha. Deixa meu cigarrinho mais um pouco... Sempre entendi.

Nestes últimos meses da pandemia nunca mais fui ao cartório – nem mesmo a lugar nenhum – mantendo um rigoroso isolamento. Há pois quase um ano que não o via. Soube na véspera que ele tinha ido emergencialmente de avião para Salvador dado ao agravamento de seu estado de saúde. Lá não resistiu. O velho corpo cansado da labuta sucumbiu. Não retorna, lá será sepultado. Deixa sua esposa, seus filhos, seus funcionários, seu cartório. E seus amigos entre os quais me coloco. Mas conosco fica também sua recordação, seus ensinamentos, sua simplicidade, seu exemplo de trabalho.

Descanse em paz, Ademar!

Aos familiares meus sinceros sentimentos.

 

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